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https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9342| Tipo: | Monografia |
| Título: | Barreiras linguísticas na atenção à saúde dos imigrantes |
| Autor(es): | Souza, Heloisa Sena |
| Primeiro Orientador: | Borges, Daniela Teixeira |
| Primeiro coorientador: | Gutierres, Athany |
| Segundo coorientador: | Rabello, Renata dos Santos |
| Primeiro membro da banca: | Borges, Daniela Teixeira |
| Segundo membro da banca: | Farias, Vanderlei de Oliveira |
| Terceiro membro da banca: | Matos, Laura Guimarães Sandoval de |
| Resumo: | Introdução: No contexto migratório, as barreiras linguísticas se configuram como um desafio central no acesso à saúde, comprometendo a qualidade do atendimento, a compreensão das condutas, adesão terapêutica e a construção do vínculo entre médico e paciente. No Brasil, o aumento da população imigrante e a diversidade linguística e cultural evidenciam a necessidade de repensar práticas e políticas a fim de que garantam o cuidado equitativo e culturalmente sensível, afinal, a comunicação constitui um dos pilares da prática médica e da humanização do cuidado. Objetivo: Analisar, sob a perspectiva dos imigrantes atendidos em um ambulatório especializado, como as barreiras linguísticas influenciam o acesso aos serviços de saúde, a qualidade do atendimento e o desenvolvimento da relação médico-paciente. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório e descritivo, conduzido no Ambulatório de Acolhimento em Saúde do Imigrante da Universidade Federal da Fronteira Sul/Hospital São Vicente de Paulo (UFFS/HSVP), em Passo Fundo (RS). A amostra contou com 7 imigrantes atendidos em primeira consulta entre março e junho de 2025. A maioria era oriunda da Venezuela, com tempo médio de residência no Brasil de 2,6 anos. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas integralmente. A análise de conteúdo de Bardin foi utilizada para a interpretação dos dados. Resultados: Observou-se que a barreira linguística, embora não tenha sido apontada pelos participantes como obstáculo absoluto, esteve presente causando prejuízos de comunicação, não apenas no contexto clínico, como também durante as entrevistas do presente estudo. No entanto, esse entrave foi atenuado por fatores como a proximidade entre o português e o espanhol e o esforço comunicacional mútuo empreendido pelos profissionais e pelos pacientes. Esses achados dialogam com pesquisas que enfatizam o papel das barreiras linguísticas como potencializador de vulnerabilidades e indicam que o domínio da língua e a presença de comunicação culturalmente sensível promove a adesão ao tratamento e o vínculo médico-paciente. Conclusão: As barreiras linguísticas impactam diretamente no acesso à saúde dos imigrantes, podendo comprometer a equidade, a autonomia e a qualidade do cuidado em saúde prestado. Enfrentar esse problema requer mais que adoção de estratégias de tradução, é imprescindível o reconhecimento institucional da pluralidade linguística como parte do direito à saúde. É fundamental promover políticas públicas que garantam o acesso mediado linguisticamente, formar profissionais com competências comunicativas interculturais e superar visões hegemônicas de língua e território, reconhecendo que no Brasil não é monolíngue. Ainda, a experiência do Ambulatório de Acolhimento em Saúde do Imigrante UFFS/HSVP reforça que a existência de serviços especializados em populações vulneráveis contribui para mitigar tais desigualdades e promover um cuidado humanizado e atento às particularidades do paciente. Consequentemente fortalecendo o vínculo e a confiança entre médico e paciente. |
| Abstract/Resumen: | Introduction: In the migratory context, language barriers represent a central challenge to healthcare access, compromising the quality of care, understanding of medical guidance, treatment adherence, and the development of the doctor–patient relationship. In Brazil, the growing immigrant population and increasing linguistic and cultural diversity highlight the need to rethink healthcare practices and policies to ensure equitable and culturally sensitive care. Communication remains one of the pillars of medical practice and the humanization of care. Objective: To analyze, from the immigrants’ perspective, how language barriers influence access to health services, the quality of healthcare, and the development of the doctor–patient relationship in a specialized outpatient clinic. Method: This is a qualitative, exploratory, and descriptive study conducted at the Ambulatório de Acolhimento em Saúde do Imigrante (Immigrant Health Care Clinic) of the Federal University of Fronteira Sul/Hospital São Vicente de Paulo (UFFS/HSVP), in Passo Fundo, Brazil. The sample consisted of seven immigrants attending their first medical consultation between March and June 2025. Most participants were from Venezuela, with an average length of residence in Brazil of 2.6 years. Data were collected through semi-structured interviews, which were audio-recorded and fully transcribed. Bardin’s content analysis method was used for data interpretation. Results: Although participants did not perceive the language barrier as an absolute obstacle, it was present and caused communication difficulties— not only in clinical encounters but also during the research interviews. However, this barrier was mitigated by factors such as the linguistic proximity between Portuguese and Spanish and the mutual communicative effort undertaken by professionals and patients. These findings align with studies emphasizing that language barriers can exacerbate vulnerabilities while demonstrating that language proficiency and culturally sensitive communication enhance treatment adherence and strengthen the doctor–patient bond. Conclusion: Language barriers directly affect equity, autonomy, and the quality of healthcare provided to immigrants. Addressing this issue requires more than individual translation strategies; it demands institutional and political recognition of linguistic plurality as part of the right to health. It is essential to promote public policies that ensure linguistically mediated access to care, train healthcare professionals in intercultural communication skills, and overcome hegemonic conceptions of language and territory—acknowledging that Brazil is not a monolingual country. The experience of the Ambulatório de Atenção Integral à Saúde do Imigrante (UFFS/HSVP) reinforces that humanized care, attentive to each patient’s linguistic and cultural particularities, strengthens trust and the doctor–patient relationship. |
| Palavras-chave: | Barreira linguística Comunicação em saúde Imigrantes Relações médico-paciente |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade Federal da Fronteira Sul |
| Sigla da Instituição: | UFFS |
| Faculdade, Instituto ou Departamento: | Campus Passo Fundo |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9342 |
| Data do documento: | 2026 |
| Aparece nas coleções: | Medicina |
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