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Tipo: Dissertação
Título: A neblina em grande sertão: veredas
Autor(es): Cavalheiro, Beatriz Simone
Primeiro Orientador: Prigol, Valdir
Resumo: Este trabalho analisa a neblina na obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, compreendendo-a como ela acontece na narrativa. A partir da afirmação de Riobaldo de que “Diadorim é a minha neblina”, a pesquisa propõe analisar de que forma a neblina se constitui como um campo de indeterminação, deslocando-se do sentido atmosférico para o discursivo, atravessando a experiência narrada e a experiência de leitura. Esta pesquisa dialoga com autores como Antonio Candido, Daniel Link, Roland Barthes, João Adolfo Hansen, João Cezar de Castro Rocha, Walter Benjamin, Gilles Deleuze e Félix Guattari, para compreender a leitura e a obra de Rosa. Observamos que a narrativa de Riobaldo não se organiza de forma linear ou explicativa, mas se apresenta como um discurso “neblinado” que reflete a própria condição de sua experiência, marcada por uma memória que se refaz enquanto ele narra sua história. A partir dessa perspectiva, o trabalho realiza quatro movimentos de análise sobre como a neblina se manifesta: na narrativa, em Diadorim, no diabo e no sertão. Analisaremos como a neblina está presente na linguagem da narrativa, na forma como o discurso do personagem-narrador se compõe, através da contradição, da não linearidade e fragmentação. Em Diadorim, a neblina se apresenta na indeterminação de sua identidade e na ambiguidade que foge à lógica binária de gênero, como um corpo em devir, que desestabiliza o narrador e impede a resolução dos seus afetos. No diabo, a neblina aparece como indeterminação moral, na oscilação entre existência e inexistência, funcionando como figura que retém e expande os sentidos de culpa, sem permitir uma conclusão definitiva. No sertão, a neblina se expressa como espaço rizomático e ilimitado, em que as fronteiras entre real e ficcional, ordem e desordem, bem e mal se tornam indistintas, como um meio em que a experiência se produz na ambiguidade. A partir do conceito de devir, especialmente em Deleuze e Guattari (2012), a neblina é compreendida como um processo em constante transformação, um devir-neblina, que não conduz a um resultado final, mas mantém a narrativa e a leitura em estado de variação contínua.
Abstract/Resumen: Este trabajo analiza la neblina en la obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, comprendiéndola tal como ocurre en la narrativa. A partir de la afirmación de Riobaldo de que “Diadorim es mi neblina”, la investigación propone analizar de qué manera la neblina se constituye como un campo de indeterminación, desplazándose del sentido atmosférico al discursivo, atravesando la experiencia narrada y la experiencia de lectura. Esta investigación dialoga con autores como Antonio Candido, Daniel Link, Roland Barthes, João Adolfo Hansen, João Cezar de Castro Rocha, Walter Benjamin, Gilles Deleuze y Félix Guattari, para comprender la lectura y la obra de Rosa. Observamos que la narrativa de Riobaldo no se organiza de forma lineal ni explicativa, sino que se presenta como un discurso “nebuloso” que refleja la propia condición de su experiencia, marcada por una memoria que se rehace mientras él narra su historia. A partir de esta perspectiva, el trabajo realiza cuatro movimientos de análisis sobre cómo la neblina se manifiesta: en la narrativa, en Diadorim, en el diablo y en el sertón. Analizaremos cómo la neblina se manifiesta en el lenguaje de la narración y en la manera en que se compone el discurso del personaje-narrador, a través de la contradicción, la no linealidad y la fragmentación. En Diadorim, la neblina se presenta en la indeterminación de su identidad y en la ambigüedad que escapa a la lógica binaria de género, como un cuerpo en devenir, que desestabiliza al narrador e impide la resolución de sus afectos. En el diablo, la neblina aparece como indeterminación moral, en la oscilación entre existencia e inexistencia, funcionando como una figura que retiene y expande los sentidos de culpa, sin permitir una conclusión definitiva. En el sertón, la neblina se expresa como un espacio rizomático e ilimitado, en el que las fronteras entre lo real y lo ficcional, el orden y el desorden, el bien y el mal se vuelven indistintas, como un medio en el que la experiencia se produce en la ambigüedad. A partir del concepto de devenir, especialmente en Deleuze y Guattari (2012), la neblina es comprendida como un proceso en constante transformación, un devenir-neblina, que no conduce a un resultado final, sino que mantiene la narrativa y la lectura en un estado de variación continua.
Palavras-chave: Veredas (MG)
Literatura brasileira
Narrativa
Contradição
Linguagem
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal da Fronteira Sul
Sigla da Instituição: UFFS
Faculdade, Instituto ou Departamento: Campus Chapecó
Nome do Programa de Pós Graduação : Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9450
Data do documento: 2026
Nível: Mestrado
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