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https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9558| Type: | Dissertação |
| Title: | Fatores relacionados à autopercepção negativa da qualidade do sono na população indígena atendida em ambulatório de Média e alta complexidade no município de Passo Fundo – RS |
| Author: | Vasquez, Milka Noemi Zeballos |
| First advisor: | Acrani, Gustavo Olszanski |
| Resume: | Introdução: A qualidade do sono constitui um componente essencial da saúde, influenciando de forma direta e indireta múltiplos desfechos físicos, mentais e sociais. Em populações indígenas, essa dimensão assume relevância particular em razão das condições históricas de vulnerabilidade, das transformações nos modos de vida, dos determinantes sociais da saúde e das iniquidades no acesso aos serviços assistenciais. Apesar de sua importância, ainda são escassos os estudos que investigam a autopercepção da qualidade do sono associada a fatores sociodemográficos, comportamentais, clínicos e psicossociais em contextos indígenas, especialmente na região Sul do Brasil. Objetivos: Analisar os fatores sociodemográficos, clínicos, comportamentais e psicossociais relacionados à autopercepção negativa da qualidade do sono em uma população indígena atendida em um ambulatório de média e alta complexidade em Passo Fundo-RS. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional e de delineamento transversal, com abordagem descritiva e exploratória, realizado no Ambulatório Indígena da Universidade Federal da Fronteira Sul/Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo (RS). O estudo corresponde a um recorte de um projeto de maior abrangência, utilizando dados coletados entre abril de 2025 até abril de 2026. A amostra, por conveniência, incluiu indígenas com idade ≥18 anos, encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde das aldeias do Polo Base Passo Fundo (DSEI Interior Sul), que consentiram em participar. A variável dependente foi a autopercepção da qualidade do sono, dicotomizada em sono positivo e sono negativo. As variáveis independentes incluíram características sociodemográficas (idade, sexo, etnia, escolaridade, renda, estado civil, uso de álcool), condições de vida (local da residência, número de moradores, renda), autopercepção da saúde física, mental e da alimentação, além de diagnósticos médicos autorreferidos. Os dados foram coletados por entrevistas estruturadas e analisados por estatística descritiva e testes de associação, adotando-se nível de significância de 5%, respeitando-se os preceitos éticos vigentes. Resultados: Evidenciou-se elevada prevalência de autopercepção negativa da qualidade do sono entre os participantes (33,0%; IC: 26,3%-39,7%), sendo mais frequente entre indivíduos de 30-39 anos (53%; p=0,04), entre os indivíduos de etnia não Kaingang (66,7%; p=0,010), que apresentavam autopercepção negativa da alimentação (46,9%; p=0,004), da saúde (45,5%; p= <0,001), que relataram sensação de estresse (62,8%; p=<0,001), ansiedade (46,2%; p=0,018) e depressão (65,2%; p= <0,001) e que apresentavam diagnóstico médico de obesidade (46,5%; p=0,032). Os achados reforçam o caráter multifatorial da qualidade do sono e sua estreita relação com o processo saúde-doença em contextos de vulnerabilidade social, configurando o sono não como fenômeno isolado, mas como componente integrado às dimensões clínicas, psicossociais, culturais e territoriais que permeiam a vida dos povos indígenas. A elevada prevalência de sono percebido como negativo sinaliza a necessidade de maior atenção a essa dimensão nas práticas assistenciais e nos serviços especializados, destacando a importância de abordagens interculturais que valorizem saberes tradicionais e promovam o cuidado integral. Considerações finais: A autopercepção da qualidade do sono constitui um importante indicador de saúde na população indígena estudada. A incorporação sistemática da avaliação do sono nos serviços de saúde indígena pode contribuir para a identificação precoce de agravos, o planejamento de ações de cuidado culturalmente sensíveis e a redução das iniquidades em saúde. Recomenda-se a realização de estudos longitudinais e qualitativos que aprofundem a compreensão dos determinantes do sono e suas repercussões na saúde indígena. |
| Abstract: | Introduction: Sleep quality is a fundamental component of health, exerting both direct and indirect influences on a wide range of physical, mental, and social outcomes. Among Indigenous populations, this dimension is particularly relevant due to historical conditions of vulnerability, ongoing transformations in traditional ways of life, the influence of social determinants of health, and persistent inequities in access to healthcare services. Despite its importance, studies investigating self-perceived sleep quality in relation to sociodemographic, behavioural, clinical, and psychosocial factors among Indigenous populations remain scarce, particularly in southern Brazil. Objectives: To analyse the sociodemographic, clinical, behavioural, and psychosocial factors associated with negative self-perceived sleep quality among an Indigenous population receiving care at a medium- and high-complexity outpatient clinic in Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brazil. Methods: This observational cross-sectional study adopted a descriptive and exploratory approach and was conducted at the Indigenous Outpatient Clinic of the Federal University of Fronteira Sul/Hospital São Vicente de Paulo, located in Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brazil. The study represents a subset of a broader research project, using data collected between April 2025 and April 2026. A convenience sample included Indigenous adults aged ≥18 years who had been referred by Primary Healthcare Units serving villages within the Passo Fundo Base Pole (DSEI Interior Sul) and who provided informed consent to participate. The dependent variable was self-perceived sleep quality, dichotomised into positive and negative sleep perception. Independent variables included sociodemographic characteristics (age, sex, ethnicity, educational attainment, income, marital status, and alcohol consumption), living conditions (place of residence, household size, and income), self-perceived physical health, mental health, and dietary quality, as well as self-reported physician-diagnosed medical conditions. Data were collected through structured interviews and analysed using descriptive statistics and tests of association, adopting a significance level of 5% and complying with all applicable ethical standards. Results: A high prevalence of negative self-perceived sleep quality was observed among participants (33.0%; 95% CI: 26.3%–39.7%). Negative sleep perception was significantly more frequent among individuals aged 30–39 years (53.0%; p=0.040), those belonging to non- Kaingang ethnic groups (66.7%; p=0.010), participants reporting negative perceptions of their diet (46.9%; p=0.004) and overall health (45.5%; p<0.001), those experiencing stress (62.8%; p<0.001), anxiety (46.2%; p=0.018), and depression (65.2%; p<0.001), and individuals with a physician-diagnosed history of obesity (46.5%; p=0.032). These findings reinforce the multifactorial nature of sleep quality and its close relationship with the health–disease process in socially vulnerable settings, highlighting that sleep should not be viewed as an isolated phenomenon but rather as an integrated component of the clinical, psychosocial, cultural, and territorial dimensions that shape Indigenous peoples' lives. The high prevalence of negative sleep perception underscores the need to strengthen attention to sleep health within clinical practice and specialised healthcare services, emphasising the importance of intercultural approaches that value traditional knowledge and promote comprehensive care. Final Considerations: Self-perceived sleep quality represents an important health indicator in the Indigenous population studied. The systematic incorporation of sleep assessment into Indigenous healthcare services may facilitate the early identification of health problems, support the planning of culturally sensitive care strategies, and contribute to reducing health inequities. Further longitudinal and qualitative studies are recommended to improve understanding of the determinants of sleep and their implications for Indigenous health. |
| Keywords: | Determinantes sociais da saúde Sono Saúde indígena Indígenas |
| Language: | por |
| Country: | Brasil |
| Publisher: | Universidade Federal da Fronteira Sul |
| Acronym of the institution: | UFFS |
| College, Institute or Department: | Campus Chapecó |
| Name of Program of Postgraduate studies: | Programa de Pós-Graduação em Ciências Biomédicas |
| Type of Access: | Acesso Aberto |
| URI: | https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9558 |
| Issue Date: | 2026 |
| metadata.dc.level: | Mestrado |
| Appears in Collections: | Programa de Pós-Graduação em Ciências Biomédicas |
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