Please use this identifier to cite or link to this item:
https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9661| Type: | Monografia |
| Title: | Corpos que zelam saberes, saberes que zelam corpos: um olhar interseccional sobre benzimento no Oeste de Santa Catarina |
| Author: | Neckel, Stefany |
| First advisor: | Vicenzi, Renilda |
| Resume: | Esta monografia analisa os saberes associados à prática do benzimento no Oeste de Santa Catarina a partir de uma perspectiva interseccional, buscando compreender como essas práticas se constituem, resistem e se transmite em meio a processos históricos de deslegitimação, colonização e subalternização. Parte-se do entendimento de que o benzimento não é uma prática residual ou uma mera crença popular, mas uma forma de conhecimento corporizado, produzido nas margens das hierarquias institucionais e epistêmicas impostas pela colonização. A pesquisa se organiza em três capítulos: o primeiro apresenta os referenciais teóricos e o percurso metodológico, articulando conceitos de colonialidade do saber e do poder, colonialidade de gênero, subalternidade e saberes práticos do cotidiano, além de fundamentar a história oral como método coerente com um saber que se constitui fora dos documentos e dos arquivos oficiais; o segundo reconstrói o processo colonizatório do Oeste catarinense, evidenciando como a colonização promovida pelo Estado e por empresas privadas reorganizou hierarquias de saber, poder e gênero, deslegitimando práticas culturais caboclas e indígenas, entre as quais o benzimento, por meio de um processo de desapropriação simbólica que transferiu os bens de salvação das comunidades para a autoridade institucional da Igreja romanizada; o terceiro capítulo se dedica à análise de uma trajetória concreta de benzedeira residente em Chapecó, mobilizando a interseccionalidade como principal lente analítica para compreender como classe, gênero, religiosidade e benzimento se articulam e se produzem mutuamente na experiência de quem detém esse saber. Os resultados indicam que os saberes das benzedeiras não existem separados das condições concretas de quem os pratica e que a análise interseccional se revela necessária para dar conta dessa complexidade. Constata-se ainda que, apesar dos sucessivos processos de marginalização, o benzimento persiste como prática de reexistência e como forma de conhecimento que desafia os critérios modernos e coloniais de legitimidade epistêmica. |
| Abstract: | This monograph analyzes the forms of knowledge associated with the practice of benzimento (traditional blessing and healing practices) in Western Santa Catarina from an intersectional perspective, seeking to understand how these practices are constituted, resisted, and transmitted amid historical processes of delegitimation, colonization, and subalternization. It is based on the understanding that benzimento is not a residual practice or merely a popular belief, but rather a form of embodied knowledge produced within the margins of institutional and epistemic hierarchies imposed by colonization. The research is organized into three chapters: the first presents the theoretical framework and methodological path, articulating the concepts of coloniality of knowledge and power, coloniality of gender, subalternity, and practical everyday forms of knowledge. It also grounds oral history as a method coherent with a form of knowledge constituted outside official documents and archives. The second chapter reconstructs the colonization process of Western Santa Catarina, demonstrating how colonization promoted by the State and private companies reorganized hierarchies of knowledge, power, and gender, delegitimizing Caboclo and Indigenous cultural practices — including benzimento — through a process of symbolic dispossession that transferred the “goods of salvation” from communities to the institutional authority of the Romanized Catholic Church. The third chapter focuses on the analysis of the life trajectory of a female benzedeira (practitioner of benzimento) from Chapecó, employing intersectionality as the main analytical framework to understand how class, gender, religiosity, and benzimento are articulated and mutually constituted within the experience of those who hold this knowledge. The results indicate that the knowledge of benzedeiras does not exist separately from the concrete conditions of those who practice it, and that an intersectional analysis is necessary to account for this complexity. It is also demonstrated that, despite successive processes of marginalization, benzimento persists as a practice of re- existence and as a form of knowledge that challenges modern and colonial criteria of epistemic legitimacy. |
| Keywords: | Benzedeiras Santa Catarina Chapecó (SC) |
| Language: | por |
| Country: | Brasil |
| Publisher: | Universidade Federal da Fronteira Sul |
| Acronym of the institution: | UFFS |
| College, Institute or Department: | Campus Chapecó |
| Type of Access: | Acesso Aberto |
| URI: | https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9661 |
| Issue Date: | 2026 |
| Appears in Collections: | História |
Files in This Item:
| File | Description | Size | Format | |
|---|---|---|---|---|
| NECKEL.pdf | 11.4 MB | Adobe PDF | View/Open |
Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.