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Type: Tese
Title: O contato linguístico Kaingang-português em Chapecó: percepções, usos, atitudes e valorização da cultura linguística dos Kaingang
Author: Frizzo, Celina Eliane
First advisor: Krug, Marcelo Jacó
Resume: O cenário atual de muitos indígenas é a vivência em um contexto multilíngue constituído/formado pela(s) língua(s) indígena(s) e pelas variedades do português. Em muitas situações, o que têm predominado é o uso de uma única variedade que tende a ser a língua portuguesa. Diante disso, nesta tese, objetivamos descrever o contato linguístico kaingang-português do Toldo Chimbangue e da Aldeia Kondá em Chapecó - SC, a partir da percepção dos participantes, ou seja, nossos dados foram analisados com base no que ouvimos daqueles que fizeram parte desse estudo. Para realizar essa investigação, utilizamos a teoria metodológica da Dialetologia Pluridimensional e Relacional. Ela converge da dialetologia areal que é caracterizada por mínimas variáveis extralinguísticas e por um máximo de variáveis linguísticas e da sociolinguística que é caracterizada pelo máximo de variáveis extralinguísticas e um mínimo de variáveis linguísticas. Foram selecionados 24 participantes, entre eles, 8 indígenas da Aldeia Kondá, 8 indígenas do Toldo Chimbangue e 8 não indígenas que vivem na zona urbana de Chapecó, que chamamos de grupo de controle. Todos eles foram selecionados de acordo com os critérios exigidos pelas dimensões da metodologia pluridimensional: diatópica (no caso indígena: indivíduos que se autodeclaram indígenas e possuíam residência nas aldeias e no grupo de controle: indivíduos que tinham nascido e sempre vivido no município), diassexual (homem e mulher) e diageracional (ter entre 18 e 36 anos - GI, e ter mais de 55 anos - GII). Os dados apontaram que, segundo os participantes, no Toldo Chimbangue, a língua portuguesa é mais usada em comparação à língua kaingang, tanto no ambiente familiar, quanto no social e quem ainda sabe a língua ancestral é parte da GII. Na Aldeia Kondá, os participantes afirmaram que, tanto em família, quanto nos ambientes em sociedade dentro da comunidade, o kaingang é mais usado que o português. De acordo com a percepção dos participantes, na Aldeia Kondá se preserva mais a língua kaingang, enquanto que no Toldo Chimbangue falam mais a língua portuguesa. Os dados também revelaram que na Aldeia Kondá falar o kaingang é importante e a comunidade pratica essa crença, enquanto que no Toldo Chimbangue, os participantes acreditam na importância da língua kaingang, mas não usam a língua ancestral em suas interações. Além disso, os mais jovens acreditam que os mais velhos falam o kaingang, mas, na verdade, só parte deles sabe e poucos usam no dia a dia. O português usado no Toldo Chimbangue é denominado de Chimbanguense, pois os falantes observam particularidades em relação ao português falado em outros lugares. Durante a análise dos dados, observamos o uso de nasalização da vogal ‘i’ na palavra ‘idioma’, em ambos os grupos (pontos) indígenas. Ao contrastar com os dados do grupo de controle, observamos que os não indígenas não realizam tal variação. Os dois grupos afirmaram que a mistura de línguas ocorre, bem como o empréstimo linguístico entre kaingang e português. E por fim, verificamos que indígenas e não indígenas têm pouco contato e o grupo de controle acredita que as comunidades utilizam o kaingang nas aldeias e o português fora delas.
Abstract: The current situation of many Indigenous peoples involves living in a multilingual context comprising Indigenous language(s) and varieties of Portuguese. In many cases, a single variety tends to predominate, which is usually Portuguese. The aim of this thesis is therefore to describe the Kaingang–Portuguese linguistic contact in the Toldo Chimbangue and Kondá villages in Chapecó, Santa Catarina, from the participants’ perspectives; that is, our data were analyzed based on what we heard from those who took part in this study. To conduct this study, we have employed the methodological framework of Pluridimensional and Relational Dialectology. This approach combines areal dialectology characterized by a minimal number of extralinguistic variables and a maximal number of linguistic variables with sociolinguistics, characterized by a maximal number of extralinguistic variables and a minimal number of linguistic variables. A total of 24 participants will be selected: 8 Indigenous individuals from the Kondá Village, 8 Indigenous individuals from the Toldo Chimbangue, and 8 non-Indigenous individuals living in the urban area of Chapecó, who we call the control group. All participants were selected according to the criteria required by the dimensions of the pluridimensional methodology: diatopic (in the case of the Indigenous group, individuals who self-identified as Indigenous and resided in the villages; in the control group: individuals who were born and have always lived in the municipality), diasexual (male and female), and diagerational (aged 18 - 36, GI; and over 55, GII). The data showed that, according to the participants,the Portuguese language is used more frequently than the Kaingang language in Toldo Chimbangue, in both family and social settings. Those who still know the ancestral language mostly belong to the GII group. In Kondá Village, participants stated that Kaingang is used more often than Portuguese within families and in social environments within the community. According to the participants’ perceptions, in Kondá Village people better preserve the Kaingang language, whereas in Toldo Chimbangue, people speak more Portuguese. The data also revealed that, in Kondá Village, speaking Kaingang is considered important, and the community actively practices this belief, whereas in Toldo Chimbangue, participants believe in the importance of the Kaingang language but do not use the ancestral language in their daily interactions. Furthermore, the younger participants believe that the elders know how to speak Kaingang, but, in fact, only some do, and only a few of them use it in their daily lives. The variety of Portuguese spoken in Toldo Chimbangue is referred to as “Chimbanguense,” as speakers recognize particular features that distinguish it from the Portuguese spoken elsewhere. During the data analysis, we observed the nasalization of the vowel “i” in the word “idioma” among both Indigenous groups (points). When compared to the control group’s data, we found that non-Indigenous participants did not exhibit this variation. Both Indigenous groups reported that language mixing occurs, as well as linguistic borrowing between Kaingang and Portuguese. Ultimately, we found that Indigenous and non-Indigenous participants have little contact with each other, and the control group believes that the communities use Kaingang within the villages and Portuguese outside of them.
Keywords: Multilinguismo
Aldeia Condá
Toldo Chimbangue
Kaingang
Chapecó (SC)
Dialetologia
Línguas em contato
Language: por
Country: Brasil
Publisher: Universidade Federal da Fronteira Sul
Acronym of the institution: UFFS
College, Institute or Department: Campus Chapecó
Name of Program of Postgraduate studies: Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos
Type of Access: Acesso Aberto
URI: https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9032
Issue Date: 2025
metadata.dc.level: Doutorado
Appears in Collections:Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos

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