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Type: Dissertação
Title: O uso das línguas maternas pelos alunos nas casas familiares rurais de Riqueza, Iporã do Oeste e Quilombo/SC: o papel da pedagogia da alternância
Author: Pfeifer, Mauriclei
First advisor: Horst, Cristiane
Resume: A colonização da região em que as Casas Familiares Rurais estão inseridas tem uma origem ligada diretamente com a colonização Europeia que se instalou primeiramente no Rio Grande do Sul. Nos primeiros anos de colonização, as línguas mais presentes nessas regiões eram variações da língua alemã e da língua italiana, falada já nas colônias gaúchas de onde migraram os colonizadores que aqui chegaram, trazida dos respectivos países da Europa durante movimentos anteriores de imigração. Além da região de colonização, também é importante ressaltar que as comunidades se separavam pela origem da migração, também pela língua falada e pela religião. Detalhes muito marcantes, mesmo dividindo a mesma língua, como é o caso, por exemplo, das colônias de Porto Feliz (hoje Mondaí) e Porto Novo (atual Itapiranga), que compartilhavam a língua alemã, mas dada a diferença religiosa, dividiram-se e hoje estudantes de ambas interagem na casa familiar de Riqueza, por exemplo. Linguisticamente, diversos fatores corroboraram para que a língua portuguesa tomasse cada vez mais espaço e fosse mitigando as línguas maternas desses grupos. Pressões políticas, perseguições militares, instituição de uma língua oficial apresentada como de prestígio nas instituições escolares, popularização da educação, fomento de um preconceito institucionalizado nas vertentes sociais das comunidades, fazendo com que os vínculos com a cultura – também a língua – fosse desprestigiado. É importante destacar que as características geográficas dessas casas familiares também trazem diferenças na manutenção/ abandono da língua de imigração dos alunos. Essa realidade regional segue se transformando e o vínculo com a língua destes povos minoritários acaba sendo mais enfraquecido quando a instituição das escolas públicas se aproxima dessas regiões e passa a atender às crianças desses grupos. O contato dessas crianças que, até então, usavam exclusivamente a variante da língua da família, agora se vê forçada a aprender a língua portuguesa para poder sentir-se incluída no meio escolar, com a língua da escola e oficial do país. Além do mais, mesmo de forma inocente, as famílias contribuem para a língua portuguesa como língua de prestígio quando incentivam as novas gerações da importância de participar da escola como forma de aquisição de conhecimento para a evolução social, econômica e cultural. Associar a importância da escola, defendido pelas famílias, com a imposição da língua portuguesa, vista como a língua da escola incentiva a comunidade a prestigiar a língua portuguesa e entender a sua língua materna como errada, de menor valor, denunciadora de baixa escolaridade, pertencente a uma cultura secundária e ignorante pois não dominava a gramática da língua nacional. Até aqui, as escolas – multisseriadas – estavam inseridas nas comunidades e a língua portuguesa era trazida de fora pelos profissionais que atuavam nas instituições e, por muitas vezes, também dominavam a língua da comunidade. No próximo momento, nessa cronologia histórica, como forma de dar sequência aos estudos, estes alunos são levados às escolas urbanas e passam a ser a minoria. Posterior, é ofertado a disciplina de língua estrangeira nas escolas, primeiramente permitindo optar pela língua ensinada. Era a possibilidade de um breve suspiro para as línguas minoritárias das comunidades. Em um segundo momento, com conceitos de comércio mundial, as escolas passam a ter: a língua portuguesa (oficial), a língua inglesa (língua estrangeira de currículo) e uma terceira língua, escolhida pela comunidade, mas com preferência à língua espanhola (Mercosul). Essa realidade também se reflete nas casas familiares rurais de Riqueza, Quilombo e Iporã do Oeste, mas com as relações um pouco diferente. O regime é de internato alternado. Vale ressaltar que, observando de um ponto de vista diassexual, o internato que anteriormente era exclusivo aos meninos, hoje é indistinto. Essa forma de interação acaba por trazer uma dinâmica linguística diferente, principalmente quando pensamos no sentido das línguas minoritárias, em especial as línguas de herança trazidas por estes estudantes. Embora a pressão que estas línguas sofrem, de uma forma geral, pela realidade econômica que se apresenta, cada turma/ano escolar se porta de forma diferente, como reflexo da aceitação (e do autorreconhecimento) da sua língua de imigração como parte da sua cultura e identidade. Dessa forma, este trabalho buscou compreender a relação entre a dinâmica da comunicação em ambiente escolar de regime internato com as transformações sociais históricas, culturais, acadêmicas, comportamentais em seus grupos linguísticos, nas Associações de Casa Familiar Rural citadas, com olhar para o que contribui na manutenção/ substituição linguística e, percebendo diferença entre turmas/escolas distintas, entendendo a(s) possível(is) motivação(ões). Além disso, teve-se a atenção para identificar as particularidades linguísticas de grupos socio regionais no ambiente de internato da Pedagogia da Alternância sob a ótica da dialetologia pluridimensional de Thun com olhar para as variações diastrática, diatópica, diassexual e diarreligiosa, identificando também a influência de fatos históricos, econômicos sociais e religiosos na manutenção ou substituição linguística. Ainda, a dinâmica distinta dessas instituições auxilia para compreender os reflexos das transformações econômicas na região de abrangência na valorização de línguas regionais em seu uso na vida sociofamiliar dos alunos em diferente situação ou ambiente dialingual, apontando características da dinâmica que fundamenta a pedagogia da alternância e que interferem diretamente na manutenção ou abandono das línguas minoritárias. Primeiramente, foi importante traçar um amplo aprofundamento dos conceitos que norteiam a própria pedagogia da alternância, ainda em sua origem na França, para assim compreender como a dinâmica de alternar entre família/comunidade e escola pôde (e ainda pode) influenciar no desenvolvimento (geral, mas com olhos voltados para a formação linguística) dos indivíduos, atentando para a dinâmica linguística, em especial nas ideias de Thun com a linguística pluridimensional, identificando-os na dinâmica da pedagogia da alternância, confrontando ou confirmando-os.
Abstract: La colonización de la región donde se ubican las Casas Familiares Rurales tiene un origen directamente vinculado a la colonización europea que se instaló inicialmente en Rio Grande do Sul. En los primeros años de la colonización, las lenguas más comunes en estas regiones eran variaciones del alemán y del italiano, ya hablados en las colonias de Rio Grande do Sul de donde migraron los colonizadores que llegaron aquí, traídos de los respectivos países europeos durante los movimientos migratorios anteriores. Además de la región de colonización, también es importante resaltar que las comunidades estaban separadas por el origen de la migración, también por la lengua hablada y por la religión. Detalles muy llamativos, incluso compartiendo el mismo idioma, como es el caso, por ejemplo, de las colonias de Porto Feliz (hoy Mondaí) y Porto Novo (hoy Itapiranga), que compartían el idioma alemán, pero dada la diferencia religiosa, se dividieron y hoy estudiantes de ambas interactúan en la casa familiar de Riqueza, por ejemplo. Lingüísticamente, varios factores contribuyeron a que la lengua portuguesa ocupara cada vez más espacio y atenuara las lenguas maternas de estos grupos. La presión política, la persecución militar, el establecimiento de una lengua oficial presentada como prestigiosa en las instituciones educativas, la popularización de la educación, la promoción de prejuicios institucionalizados en los aspectos sociales de las comunidades, hacen que se desacrediten los vínculos con la cultura –incluida la lengua–. Es importante resaltar que las características geográficas de estos hogares familiares también traen diferencias en el mantenimiento/abandono de la lengua inmigrante de los estudiantes. Esta realidad regional continúa cambiando y el vínculo con la lengua de estos pueblos minoritarios termina debilitándose cuando la institución de las escuelas públicas se acerca a estas regiones y comienza a atender a los niños de estos grupos. El contacto de estos niños que hasta entonces utilizaban exclusivamente la variante lingüística familiar, ahora se ven obligados a aprender portugués para sentirse incluidos en el ambiente escolar, con la lengua de la escuela y la lengua oficial del país. Además, incluso de manera inocente, las familias contribuyen a la lengua portuguesa como lengua de prestigio cuando animan a las nuevas generaciones a comprender la importancia de asistir a la escuela como forma de adquirir conocimientos para el desarrollo social, económico y cultural. Asociar la importancia de la escuela, defendida por las familias, con la imposición de la lengua portuguesa, vista como lengua de la escuela, incentiva a la comunidad a valorar la lengua portuguesa y entender su lengua materna como errónea, de menor valor, indicadora de baja educación, perteneciente a una cultura secundaria e ignorante por no dominar la gramática de la lengua nacional. Hasta ahora, las escuelas –multigrado– estaban insertas en las comunidades y la lengua portuguesa era traída de fuera por profesionales que trabajaban en las instituciones y, muchas veces, también dominaban la lengua de la comunidad. En el momento siguiente, en esta cronología histórica, como forma de continuar sus estudios, estos estudiantes son llevados a escuelas urbanas y se convierten en minoría. Posteriormente, la asignatura de lengua extranjera se oferta en los centros educativos, permitiendo inicialmente la elección del idioma impartido. Fue la posibilidad de un breve respiro para las lenguas minoritarias de las comunidades. En un segundo momento, con conceptos de comercio mundial, las escuelas pasaron a tener: portugués (oficial), inglés (lengua extranjera curricular) y una tercera lengua, elegida por la comunidad, pero con preferencia por el español (Mercosur). Esta realidad también se refleja en las casas familiares rurales de Riqueza, Quilombo e Iporã do Oeste, pero con relaciones ligeramente diferentes. El régimen es de embarque alternado. Vale la pena señalar que, desde un punto de vista diasexual, el internado que antes era exclusivo para niños, ahora es indistinto. Esta forma de interacción acaba aportando una dinámica lingüística diferente, sobre todo cuando pensamos en el significado de las lenguas minoritarias, especialmente las lenguas heredadas traídas por estos estudiantes. Aunque estos idiomas generalmente están bajo presión debido a la realidad económica actual, cada clase/año escolar se comporta de manera diferente, reflejando la aceptación (y autorreconocimiento) de su lengua de inmigración como parte de su cultura e identidad. Así, este trabajo buscó comprender la relación entre la dinámica de la comunicación en un ambiente de internado con las transformaciones sociales históricas, culturales, académicas y comportamentales en sus grupos lingüísticos, en las Asociaciones de Hogares Familiares Rurales antes mencionadas, observando lo que contribuye al mantenimiento/reemplazo lingüístico y, notando la diferencia entre las distintas clases/escuelas, entendiendo la(s) posible(s) motivación(es). Además, se prestó atención a la identificación de las particularidades lingüísticas de los grupos socioregionales en el ámbito del internado de la Pedagogía de la Alternancia desde la perspectiva de la dialectología multidimensional de Thun, mirando las variaciones diastráticas, diatópicas, diasexuales y diarreligiosas, identificando también la influencia de los hechos históricos, económicos, sociales y religiosos en el mantenimiento o reemplazo lingüístico. Además, las distintas dinámicas de estas instituciones permiten comprender los efectos de las transformaciones económicas de la región amparadas por la valorización de las lenguas regionales en su uso en la vida sociofamiliar de los estudiantes en diferentes situaciones o entornos dialingüísticos, destacando características de las dinámicas que fundamentan la pedagogía de la alternancia y que interfieren directamente en el mantenimiento o abandono de las lenguas minoritarias. En primer lugar, era importante explorar ampliamente los conceptos que guían la propia pedagogía de la alternancia, todavía en sus orígenes en Francia, para comprender cómo la dinámica de alternancia entre familia/comunidad y escuela podía (y todavía puede) influir en el desarrollo (general, pero con la mirada puesta en la formación lingüística) de los individuos, prestando atención a las dinámicas lingüísticas, especialmente a las ideas de Thun con la lingüística multidimensional, identificándolas en la dinámica de la pedagogía de la alternancia, confrontándolas o confirmándolas.
Keywords: Escola rural
Língua materna
Língua de herança
Métodos de ensino
Santa Catarina
Dialetologia
Language: por
Country: Brasil
Publisher: Universidade Federal da Fronteira Sul
Acronym of the institution: UFFS
College, Institute or Department: Campus Chapecó
Name of Program of Postgraduate studies: Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos
Type of Access: Acesso Aberto
URI: https://rd.uffs.edu.br/handle/prefix/9369
Issue Date: 2025
metadata.dc.level: Mestrado
Appears in Collections:Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos

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